XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

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Dados do Trabalho


Título

Associação entre Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica e Doença de Crohn

Apresentação do Caso

Masculino, 45 anos, portador de doença de Crohn ileal e perianal desde 2002, submetido a 3 cirurgias de resseção intestinal. Estava em uso de comboterapia com anti-TNF e azatioprina e apresentou aumento de enzimas hepáticas. Em um primeiro momento, optado em suspender imunossupressor pela possibilidade de hepatite medicamentosa. Em investigação etiológica, submetido à biópsia hepática que evidenciou hepatite crônica em atividade estadio 3, e ultrassonografia hepática com visualização de DHGNA. Não apresentava antecedentes pessoais de diabetes mellitus (DM), hipertensão arterial sistêmica (HAS), dislipidemia, obesidade ou doença tireoidiana. Endoscopia alta com visualização de varizes esofágicas. Iniciado tratamento com Vitamina E e orientações dietéticas. Atualmente em tratamento com terapia anti-interleucina e acompanhamento do quadro de DHGNA.

Discussão

Doença Inflamatória Intestinal (DII) é uma doença de caráter crônico e inflamatório, assim como a doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA). Ambas não possuem patogênese totalmente elucidada, entretanto, estudos apontam a disbiose intestinal como um dos principais mecanismos envolvidos. A composição da microbiota intestinal na DII é alterada quando comparada a indivíduos saudáveis. Bactérias do filo Firmicutes, responsáveis pela produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), estão reduzidas nas fezes de pacientes com DC. Por outro lado, membros do filo Proteobacteria, bactérias gram-negativas produtoras de lipopolissacarídeos patogênicos (LPS), são comumente aumentados em pacientes com DII em relação a indivíduos saudáveis. Desta forma, a diminuição na produção de AGCC pode resultar em integridade intestinal deteriorada e, somado ao aumento das bactérias oportunistas, pode ser fator patogênico importante na DHGNA. Apesar de existirem evidências que apontam para a disbiose na DII e na DHGNA, a análise de microbiota nesses pacientes não é recomendada de rotina.

Comentários finais

Pacientes com DII apresentam risco aumentado de DHGNA- presença de obesidade, HAS, dislipidemia e DM-2 nos pacientes com DII + DHGNA é significativamente menor quando comparada aos pacientes com DHGNA sem DII, sugerindo que indivíduos com DII desenvolvem DHGNA com presença de menos fatores de risco para síndrome metabólica. A identificação precoce da DHGNA permite o controle dos fatores de risco e a prevenção para evolução para complicações da doença.

Palavras-Chave

Doença hepática gordurosa não alcoólica; Doença de Crohn; Doença inflamatória intestinal

Área

Gastroenterologia - Intestino

Autores

Fernanda Patrícia Jeronymo Pinto, Renata Medeiros Dutra, Rogerio Saad Hossne, Julio Pinheiro Baima, Ligia Yukie Sassaki, Walnei Fernandes Barbosa, Giovanni Faria Silva