XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

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Dados do Trabalho


Título

ESOFAGITE EOSINOFÍLICA: A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO

Apresentação do Caso

Paciente feminina, 31 anos, procura atendimento devido à terceiro episódio de disfagia esofágica após ingestão de alimento sólido. Na endoscopia digestiva alta, ausência de corpo estranho impactado, porém visualizada mucosa esofágica de aspecto traqueizado, com endurecimento - realizadas biópsias. Anatomopatológico: esofagite crônica rica em eosinófilos com edema e exocitose de eosinófilos intraepiteliais, contagem de eosinófilos: 19 por campo de grande aumento e ausência de metaplasia intestinal - sugestivos de esofagite eosinofílica. Paciente já em uso de inibidor de bomba de prótons (IBP) devido dispepsia, com plano de prescrição de dieta de eliminação e corticoide tópico para posterior análise de resposta à terapêutica prescrita.

Discussão

A esofagite eosinofílica é definida como uma patologia crônica imunomediada, na qual a infiltração de eosinófilos na mucosa leva a sintomas de disfunção do esôfago. Os principais sintomas são: disfagia, epigastralgia, vômitos e impactação alimentar.
Para o diagnóstico, devem ser realizadas de duas a quatro biópsias em níveis esofágicos diferentes, preferencialmente esôfago proximal e distal e regiões com anormalidades endoscópicas. Além disso, recomenda-se realização de biópsias de antro e duodeno para excluir diagnósticos diferenciais. Vários achados endoscópicos podem ser encontrados (anéis esofágicos, estreitamento, sulcos lineares, placas brancas, redução da vascularização); porém, em até 10% dos pacientes, a endoscopia pode ser normal. Histologicamente, o achado de mais de 15 eosinófilos por campo de microscopia de alta potência é sugestivo de esofagite eosinofílica.
Assim sendo, caso as biópsias sejam sugestivas de esofagite eosinofílica, sugere-se tratamento empírico para avaliar a responsividade ao IBP. Utiliza-se IBP por 8 semanas e posteriormente realiza-se uma nova endoscopia com biópsias. Caso persista a eosinofilia e se outras causas de eosinofilia esofágicas forem excluídas, confirma-se o diagnóstico de esofagite eosinofílica.
O tratamento deve ser individualizado, tendo como principais opções: dietas de eliminação, supressão ácida, esteroides tópicos, corticoides sistêmicos e dilatação esofágica.

Comentários finais

A esofagite eosinofílica deve ser considerada diagnóstico diferencial de disfagia. Foi relatado caso de paciente com episódios recorrentes de impactação alimentar e dor para deglutir, sendo os achados endoscópicos e histopatológicos compatíveis com esofagite eosinofílica.

Palavras-Chave

Esofagite eosinofílica, eosinófilos, disfagia

Área

Gastroenterologia - Esôfago

Autores

Patricia Paraboni Bersaghi, Andreza Gauterio Cavalcanti, Carla Bortolin Fonseca, Renata Sehbe Fedrizzi, Fernando Sehbe Fichtner, Gabriela de Moura Hining, Gustavo Paraboni Bersaghi, Bruno Meneghel Bersaghi