XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

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Dados do Trabalho


Título

Doença de Crohn e Lúpus Eritematoso Sistêmico: o desafio terapêutico quando as patologias coexistem.

Apresentação do Caso

Mulher, 39 anos, com diagnóstico de Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) há 18 anos, com envolvimento cutâneo, renal e hematológico, tratada previamente com imunossupressores e atualmente em remissão da doença com uso de hidroxicloroquina. Também portadora de Doença de Crohn (DC) há 4 anos, com acometimento colônico e padrão fistulizante perianal, em tratamento com ustequinumabe há 1 ano. Apresentou piora clínica com perda ponderal de 10Kg, dor abdominal e diarreia sanguinolenta - 20 episódios/dia, sendo necessária internação hospitalar para tratamento da colite grave. As pesquisas para Clostridioides difficile e infecções oportunistas resultaram negativas. A colonoscopia mostrou úlceras profundas em canal anal e ceco. Iniciado corticoterapia venosa, com melhora parcial. Apesar do risco de reativação do LES com uso de terapia anti-TNFα, considerando a gravidade do quadro e morbidade associada à colectomia, foi decidido por terapia de resgate com Infliximabe 5mg/Kg endovenoso. A paciente apresentou melhora parcial dos sintomas, com necessidade de otimização de dose após 6 semanas, guiado por baixa dosagem de nível sérico do Infliximabe, sem evidência de reativação do LES.

Discussão

A coexistência de DC e LES é rara e essa associação dificulta a escolha terapêutica para a doença inflamatória intestinal, principalmente quando há fenótipo fistulizante. A terapia anti-TNFα apresenta melhor evidência para controle desse fenótipo, porém com risco de indução de atividade lúpica. O lúpus induzido por drogas já foi descrito em associação com diversas medicações, dentre elas os imunobiológicos anti-TNFα (incidência de 1,6%). Todavia existem poucos relatos na literatura sobre a reativação de LES pré-existente induzida por essa classe de droga. A indução de atividade do LES pré-existente se baseia na produção de autoanticorpos (principalmente anti-DNA e ANA) por bloqueio de linfócitos T e estimulação da imunidade humoral, além de uma possível reação cruzada entre anticorpos anti-fármaco e autoanticorpos. Dessa forma, o desafio terapêutico se impõe sobre o risco de indução de atividade lúpica e por vezes a indisponibilidade de imunobiológicos que não sejam anti-TNFα para tratamento de DC.

Comentários finais

A associação de DC e LES é um desafio terapêutico, especialmente em pacientes com fenótipo fistulizante da DC. A utilização da terapia anti-TNFα deve ser realizada com cautela e monitoramento de possível reativação do LES.

Palavras-Chave

Doença de Crohn; Lúpus Eritematoso Sistêmico; anti-TNFα.

Área

Gastroenterologia - Intestino

Autores

Davi Viana Ramos, Sabrina Rodrigues de Figueiredo, Amanda Carvalho Almeida de Medeiros, Aderson Omar Mourão Cintra Damião, Alexandre de Sousa Carlos, Luisa Leite Barros, Natalia Sousa Freitas Queiroz, Matheus Freitas Cardoso de Azevedo