XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

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Dados do Trabalho


Título

PANCREATITE AGUDA MEDICAMENTOSA POR USO DE LIRAGLUTIDA: UM RELATO DE CASO

Apresentação do Caso

Paciente do sexo feminino, 23 anos, branca, compareceu à emergência médica com queixa de náuseas, vômitos e dor em abdômen superior.
A mesma vinha em tratamento para o obesidade grau I com índice de massa corporal (IMC) prévio de 32,17 Kg/m2. Estava em uso de topiramato 100mg/dia, fluoxetina 20mg/dia, bupropiona 150mg/dia nos últimos 12 meses e assintomática, quando foi introduzido liraglutida em dose de 1,2mg/dia via subcutânea há 7 dias do início dos sintomas.
Negou o consumo de bebidas alcoólicas, traumatismo abdominal, cirurgias ou procedimentos biliopancreáticos, quadros pregressos de pancreatite ou de litíases, neoplasias, doenças infecciosas ou autoimune. Não soube relatar sobre história familiar por ter sido adotada e desconhecer familiares.
Os exames laboratoriais em 11/12/2020 mostravam: amilase: 188 U/L (valor de referência: 25-125 U/L), lipase: 584 U/L (valor de referência: 12-53 U/L) com demais resultados normais.
O exame de tomografia computadorizada com contraste da mesma data apresentava: "Discreto borramento da gordura e linfonodo proeminente adjacentes cabeça pancreática, podendo representar processo inflamatório e/ou infeccioso. Pequena quantidade de líquido na goteira pericólica bilateral. Ausência de imagens sugestivas de cálculos ou dilatação de vias biliopancreáticas"

Discussão

A liraglutida é um análogo de peptídeo semelhante ao glucacon 1 (GLP1); é uma
incretina liberada na circulação sanguínea em resposta a ingestão de nutrientes. O fármaco vem sendo utilizado para tratamento de diabetes mellitus tipo 2 e, mais recentemente, aprovado para uso na obesidade.
As causas bem conhecidas da pancreatite aguda (PA) são: obstrução ducal pancreática secundária a cálculos biliares, metabólicas (aumento de triglicerídeos ou cálcio), neoplásicas, autoimunes, alcoólica, pós-colangiopancreatografia endoscópica retrógrada (CPRE), infeções, causas genéticas, traumatismo, medicações e idiopática.
No caso relatado, a relação temporal do inicio da medicação e o aparecimento dos sintomas, bem como a suspensão da droga e a resolução dos sintomas com normalização laboratorial, suportam a hipótese da causa medicamentosa por uso de liraglutida; além do fato de terem sido excluídas outras etiologias conforme a descrição do caso.
A posterior reintrodução da fluoxetina e bupropiona sem complicações reforça ainda mais a hipótese de PA por liraglutida, e o questionário de Naranjo retifica tal probabilidade.

Comentários finais

A paciente manteve-se assintomática no seguimento.

Palavras-Chave

Pancreatite, pancreatite aguda, pancreatite aguda medicamentosa, liraglutida, análogo do hormônio GLP-1, peptídeo glucagon-like-1 (GLP-1)

Área

Gastroenterologia - Pâncreas e Vias Biliares

Autores

Thiago de Souza Sampaio, Marcelo Ausanderer Pires, Rolfer Seabra de Barros