XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

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Dados do Trabalho


Título

Pseudodivertículos de esôfago secundário à candidíase - Relato de Caso

Apresentação do Caso

Paciente, 82 anos, feminino, com hipotireoidismo, hipertensão arterial e artrose, em uso crônico de corticoide, queixando astenia, hiporexia e perda ponderal há 6 meses. Interna por hematêmese há 2 dias. Ao exame físico, paciente estável hemodinamicamente, emagrecida, com abdome flácido, doloroso em epigástrio à palpação profunda. Exames laboratoriais com hemoglobina de 5,9 g/dl, leucócitos 17200 células/mm3 plaquetas 403.000 plaquetas/µl, exame de urina normal, sorologias para HIV e hepatites virais negativas, Rx de tórax normal. Realizado hemotransfusão e submetida à endoscopia digestiva alta (EDA), que evidenciou candidíase esofágica Kodsi II complicada com pequenos óstios diverticulares de 1-3 mm, localizado no terço médio à 29 cm da arcada dentária superior; úlceras em corpo gástrico (H1 de Sakita), em pré-pilorica (A2 de Sakita/Forrest III) e em bulbo duodenal (H2 de Sakita). Biópsias de esôfago compatível com esofagite fúngica (candidíase) e de bordas de úlceras gástricas evidenciando infiltrado inflamatório crônico moderado em atividade com a presença de Helicobacter pylori (HP). Instituído tratamento com Omeprazol e Fluconazol endovenoso e sintomáticos. Paciente após 5 dias com melhora dos sintomas e com alta hospitalar com prescrição do tratamento para HP e seguimento ambulatorial. Após 6 meses retorna em ambulatório assintomática, com apetite preservado e ganho de peso no período.

Discussão

A esofagite por Candida é uma infecção oportunista que acomete principalmente pacientes imunossuprimidos, como os com HIV, diabéticos e uso crônico de corticoides. Complicações como estenoses, pseudodiverticulos e fistulas são raras. O caso relatado apresenta uma pseudodiverticulose intramural esofágica, que é um achado benigno e raro, caracterizada por diversos e diminutos divertículos localizados na parede esofágica. A sua fisiopatologia ainda é desconhecida e a relação com candidíase esofágica é alta. O sintoma mais comum é disfagia. O diagnóstico é realizado pela EDA e sua relação com candidíase confirmada com biópsia. O tratamento baseia-se em antifúngicos, como fluconazol, com boa resposta.

Comentários finais

Esse caso ilustra bem um caso raro de Candidíase esofágica complicada com pseudodivertículos em paciente em uso crônico de corticoide, sem sintomas típicos como disfagia e com diagnóstico incidental após EDA.

Palavras-Chave

Pseudodivertículo de esôfago; Candidíase esofágica, complicações da candidíase

Área

Gastroenterologia - Esôfago

Autores

Karinne Soares Isaac, Thalita Costa Margarida, Isabelle Pina Araújo, Nathália Carvalho Fernandes, Fanny Gonçalves Morais Leite, Maira Costa Cabral, José Cristiano Ferreira Resplande, Daniela Medeiros Milhomem Cardoso, Américo Oliveira Silvério