XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

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Dados do Trabalho


Título

Pancreas Divisum

Apresentação do Caso

TMCRS, feminina, 70 anos, com diagnostico de pancreatite aguda recorrente, já no seu 4 episodio, apresentou na tomografia pequena área hipoatenuante na margem inferior do corpo pancreático medindo cerca de 1,6 x 1,5 cm. Submetida a ecoendoscopia para esclarecimento diagnóstico que evidenciou pâncreas divisum. Segue em acompanhamento ambulatorial desde então há 2 anos sem novos episódios de pancreatite aguda.

Discussão

Pancreas divisum é uma má formação congênita que ocorre na sétima semana de vida embriológica em decorrência da falha na fusão dos sistemas ductais pancreáticos. De modo que o ducto de Santorini ocupa a função de ducto principal em detrimento do de Wirsung, sendo portanto 10% do conteúdo pancreático drenado pela papila maior e 90% pela papila menor.
Raramente pacientes com pâncreas divisum possuem sintomas, pela dilatação do ducto dorsal (Santorini). Caso não haja, ocorre um aumento de pressão intraductal, culminando em dor abdominal crônica (em 60% dos casos) e até pancreatite idiopática (30%). Existem 3 tipos: 1 (clássico) - falha completa na fusão do ducto de Wirsung e Santorini, podendo o ducto principal drenar para o Santorini ou Wirsung; 2 - ausência de ducto de Wirsung; 3 - conexão parcial entre os ductos.
Outras doenças associam-se sessa condição, como pseudocisto, necrose, insuficiência exócrina ou endócrina, desarranjos metabólicos, pâncreas anular (30-38% dos casos). Em 12,5% existe a associação entre tumor pancreático e Pâncreas Divisum, principalmente se tem dor abdominal associada a aumento de enzimas pancreáticas.
O diagnóstico é incidental, em 95% dos casos pelos exames endoscópicos, e achados em cerca de 6-10% das autópsias. Clinicamente, torna-se relevante como possível diagnóstico etiológico de Pancreatite aguda recorrente e crônica.

Comentários finais

O Pâncreas divisum é uma alteração anatômica de relevância, mesmo com sua incidência rara, visto que pode ser etiologia possível para diversas entidades clínicas, inclusive alguma graves. A CPRE é o padrão ouro para o diagnóstico, podendo ser inclusive terapêutica, no entanto, a Colangioressonancia possui sensibilidade 50-70% e a ecoeda 87-95%. O tratamento se faz necessário nos sintomáticos, a depender da frequência, intensidade dos sintomas e complicações associadas. As opções terapêuticas envolvem abordagem endoscópica ou cirúrgica, sendo a última reservada aos pacientes com falha na cateterização da papila menor, endoterapia ou outra alteração anatômica.

Palavras-Chave

Pancreas Divisum

Área

Gastroenterologia - Pâncreas e Vias Biliares

Autores

Sophie Portela, Yussef Lasmar, Javé Valdviño, Joao Vitor Honorato, Meyrianne Barbosa, Marco Vinicio Gil, Marcelo Raymundo Maiorano, Diego Garcia