XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

Página Inicial » Inscrições Científicas » Trabalhos

Dados do Trabalho


Título

PANCREATITE DE SULCO - RELATO DE CASO

Apresentação do Caso

JB, masculino, 59 anos, com história de dor no andar superior do abdome com irradiação para o dorso há 2 semanas, associada a icterícia e colúria. Ex tabagista e etilista há 40 anos (Ingestão diária de 2 garrafas de cerveja e 3 doses de aguardente). Ao exame apresentava-se em regular estado geral, corado, hidratado, eupneico, ictérico 3+/4+ e afebril. Abdome globoso, com RHA+, levemente distendido, doloroso à palpação profunda no andar superior, sem visceromegalias e massas palpáveis. Aparelhos cardiovascular e respiratório dentro da normalidade. Apresentava hiperbilirrubinemia, (BD:17,7 /BI:15,6), alterações das enzimas canaliculares (GGT 4321 / FA 740) e lipase de 196, na admissão hospitalar. US de abdome evidenciava pâncreas de dimensões aumentadas, com pequena quantidade de líquido peripancreático, com dilatação do ducto pancreático principal. TC de abdome mostrando formação tecidual de limites imprecisos na cabeça do pâncreas, além de imagem nodular na cauda e linfonodos aumentados peripancreáticos e portocavais. Solicitada ecoendoscopia, na qual foram vistos achados compatíveis com pancreatite de sulco. O paciente permaneceu internado até a melhora dos sintomas, recebendo alta para acompanhamento ambulatorial. Atualmente, assintomático com nova ecoendoscopia mostrando imagens sugestivas de processo inflamatório pancreático recente

Discussão

A pancreatite de sulco (PS), foi descrita pela primeira vez há quase 40 anos, porém ainda é pouco conhecida, principalmente em razão dos poucos casos relatados. Anatomicamente localiza-se entre a cabeça do pâncreas, o duodeno e o colédoco, região sede de neoplasias de difícil tratamento, dentre elas o adenocarcinoma de cabeça do pâncreas, que tem sintomas semelhantes à PS, principalmente na forma segmentar da doença, que além do sulco pancreático acomete também a porção cefálica do pâncreas, promovendo hiperbilirrubinemia e dilatação das vias biliares. Já a forma pura é restrita ao sulco pancreático e não costuma causar tais sintomas. Dessa forma é importante realizar o diagnóstico correto, que nem sempre é fácil. Todavia, com a evolução dos exames de imagem houve uma melhora para o diagnóstico dessa doença, evitando intervenções cirúrgicas desnecessárias

Comentários finais

No presente relato, descrevemos um caso no qual a propedêutica adequada foi de suma importância para o desfecho, além de contribuir para o conhecimento dessa rara doença.

Palavras-Chave

PANCREATITE; FORMA RARA; DIAGNÓSTICO

Área

Gastroenterologia - Pâncreas e Vias Biliares

Autores

MARCOS ALEXANDRE SOUZA, FRANCISCO RIBEIRO CARVALHO NETO, GUILHERME BEOLCHI, JOSE FRANCISCO GANDOLFI