XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

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Dados do Trabalho


Título

Colangite biliar secundária após intervenções de via biliar

Apresentação do Caso

Paciente masculino, 64 anos, ex-tabagista, apresenta história de múltiplas abordagens cirúrgicas. A primeira, realizada em dezembro de 2018, uma colecistectomia com derivação biliodigestiva devido a quadro de colecistite aguda. Com pós-cirúrgico complicado, teve infecções no sítio cirúrgico no ano seguinte, com necessidade de 3 intervenções de drenagem. Devido a manutenção da elevação de enzimas canaliculares com o surgimento de icterícia houve a necessidade de nova derivação biliodigestiva em junho de 2019. CPRE realizado no mesmo mês apontou estenose da junção hepática com irregularidade de contornos das vias biliares. Exames laboratoriais indicaram níveis 3 vezes maiores que o limite de referência de Fosfatase Alcalina (FA) e 11 vezes maiores que o da Gama GT (GGT). Apesar da suspeita de Colangite Biliar Primária, os marcadores autoimunes resultaram negativos. Devido a continuidade do quadro, biópsia hepática foi solicitada e, em de março de 2020, foi conclusiva para hepatopatia de padrão biliar com pontes fibrosas porta-porta sendo colangite biliar secundária (CBS) a principal hipótese diagnóstica.

Discussão

Nas investigações etiológicas de hepatopatia em pacientes com sorologias e anticorpos negativos que já tiveram via biliar manipulada tem-se que pensar em CBS, doença que impede a passagem da bile através da inflamação, destruição e obstrução dos ductos biliares. A elevação da FA e do GGT acompanhados de sintomas como prurido, fadiga, desconforto no hipocôndrio direito e icterícia, são suspeitos do diagnóstico, havendo a necessidade de um CPRE e biópsia hepática como confirmativos da colangite. Por não ter cura, seu tratamento busca prolongar a qualidade de vida do paciente de modo a amenizar a lesão hepática com medicamentos como o ácido ursodesoxicólico. Em casos mais graves, o transplante de fígado pode ser indicado e apesar da necessidade de ficar na lista de espera por um fígado compatível, o prognóstico é favorável, havendo cura após o procedimento.

Comentários finais

A CBS pode surgir com o curso de sucessivas cirurgias que manipulem via biliar. Cabe avaliação de história pregressa e diagnóstico diferencial para seguir com tratamento terapêutico.

Palavras-Chave

Colangite Biliar Secundária, enzimas hepáticas, biópsia hepática

Área

Gastroenterologia - Fígado

Autores

Caroline Borges de Castro, Maria Eduarda Steinmetz Kaczen, Gabriel Canhete Machado, Pedro Henrique Caetano Santos da Silva, Elza Cristina Miranda da Cunha BUeno