XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

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Dados do Trabalho


Título

Pancreatite crônica complicada com ascite pancreática

Apresentação do Caso

Masculino, 54 anos, tabagista, etilista e com internações prévias por dor abdominal recorrente, sendo identificada lesão em cabeça de pâncreas, realizado biópsia cirúrgica. Apresentou trauma abdominal, com dor abdominal alta, irradiação para dorso e aumento do volume abdominal. Ao internar no Hospital Universitário: emagrecido, hipocorado, desidratado, dor abdominal difusa e ascite. Exames com aumento de provas inflamatórias e amilase: 1278 U/l. Paracentese revelou ascite com amilase: 14403 U/l, configurando ascite pancreática. TC de abdome confirmou pancreatite crônica, áreas de inflamação aguda e volumosa ascite. Colangiorressonância mostrou ruptura do ducto em topografia de cabeça pancreática, com presença de fístula pancreática. Iniciou dieta oligomérica por sonda nasoentérica (SNE). Manteve ascite de alto débito. Decidido realizar CPRE com posicionamento de prótese em ducto pancreático. Evoluiu com resolução da ascite. Retirada a SNE, com manutenção da dieta oligomérica por via oral durante 15 dias e, após, associada dieta hipolipídica de forma gradual. Recebeu alta com orientações nutricionais e retorno ambulatorial precoce, com programação de exame de imagem de controle e retirada da prótese de ducto pancreático.

Discussão

Pancreatite crônica é causada por inflamação progressiva, destruição do parênquima e formação de fibrose. O diagnóstico precoce é desafiador. Alcoolismo é a causa mais comum, com maior risco quando associado ao tabagismo. As principais manifestações são dor abdominal, emagrecimento, esteatorréia, diabetes e, menos comumente, pseudocistos e derrames cavitários. Apenas menos de 1% cursam com ascite por ruptura de cistos ou fístula pancreática. O diagnóstico é feito através da análise do líquido ascítico com amilase 3x o valor normal. O manejo inicial de fístula pancreática é conservador, com suporte nutricional, dieta oligomérica via sonda e correção de fluidos e eletrólitos. Em casos refratários pode-se lançar mão de passagem de prótese pancreática via CPRE ou cirurgia.

Comentários finais

A ascite pancreática é uma complicação incomum, que indica gravidade na pancreatite crônica, e possui alta morbidade e mortalidade. O diagnóstico e tratamento precoce são fundamentais para evitar desfechos desfavoráveis.

Palavras-Chave

Pancreatite crônica, ascite pancreática, fístula pancreática

Área

Gastroenterologia - Pâncreas e Vias Biliares

Autores

Rebeca Silva Moreira da Fraga, Caio Guimarães Araújo, Larissa Gonçalves Henriques, Arthur Gonzalez Brioschi, Amanda Carréra de Moreno, Carla Almeida Rodolfo, Fernanda Costa Azevedo, Layni Storch, Luciana Lofêgo Gonçalves, Maria da Penha Zago Gomes