XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

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Dados do Trabalho


Título

Tratamento da Doença de Crohn com terapia anti-TNF em paciente HIV positivo: Relato de caso e revisão da literatura

Apresentação do Caso

Paciente sexo feminino, 50 anos, quadro de dor abdominal, febre, emagrecimento (13kg), diarreia líquida (7-8 episódios/dia) com muco, no início de 2020. Videoileocolonoscopia (VIC) de maio/2020, evidenciou úlceras grandes e profundas em todos os segmentos colônicos, entremeadas por mucosa normal. Anatomopatológico (AP) evidenciou colite crônica inespecífica e descartou infecções. Iniciou tratamento com adalimumabe em junho/2020 com melhora parcial dos sintomas, com otimização da dose em novembro/2020. VIC de dezembro/2020 evidenciou edema e enantema, além de úlceras profundas em ceco, transverso, descendente e sigmoide, e erosões em ascendente (SES-CD: 18). AP mostrou ileíte e colite crônica em atividade discreta com criptite. Em reavaliação da resposta endoscópica, constatou-se que paciente era portadora do vírus HIV desde 1993 (CD4:11; carga viral>2 milhões), sem tratamento. Suspenso adalimumabe e solicitada revisão de lâmina com pesquisa de HIV, citomegalovírus, criptosporidíase e tuberculose, resultando negativa. Atualmente em acompanhamento com a Infectologia em terapia antiretroviral.

Discussão

A infecção pelo HIV varia desde apresentação assintomática até o surgimento de infecções oportunistas, decorrentes da queda de células T-CD4. As DII caracterizam-se por inflamação da mucosa intestinal iniciada por uma resposta imune mediada por células (principalmente linfócitos T-CD4), em resposta a antígeno desconhecido em indivíduos geneticamente susceptíveis. Os casos de DII e HIV precisam de confirmação por biópsia, já que mais de 50% dos pacientes HIV podem apresentar diarreia ao longo do seu curso, sendo importante afastar infecções como citomegalovírus, tuberculose, sífilis e criptosporidíase, além de sarcoma de Kaposi e enteropatia pelo HIV. O tratamento da DII depende da confirmação de ausência de infecções e deve ser acompanhado com contagem de CD4 e carga viral, além de vigilância quanto a infecções oportunistas. Agentes imunossupressores como metotrexato e azatioprina podem ser utilizados por curto período sob risco de linfoma. Os antiTNF são considerados seguros, principalmente em pacientes em uso de terapia antiretroviral, com contagem de CD4>500 e carga viral negativa, sendo necessário monitorização frequente, principalmente quanto a infecções por micobactérias.

Comentários finais

A combinação de DII e HIV podem coexistir num mesmo individuo, sendo desafiador tanto o diagnóstico da DII quanto a escolha da terapêutica.

Palavras-Chave

Doença de Crohn, Vírus da Imunodeficiência Humana, Terapia anti- TNF

Área

Gastroenterologia - Intestino

Autores

Fernanda Patrícia Jeronymo Pinto, Renata Medeiros Dutra, Danielle Kellen Penha Mahon, Natália Queiroz Prado Bittencourt, Tamiris Marques Pereira, Rogerio Saad Hossne, Julio Pinheiro Baima, Ligia Yukie Sassaki