XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

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Dados do Trabalho


Título

Doença de Crohn induzida por Rituximabe: Relato de caso

Apresentação do Caso

Trata-se de paciente de 26 anos, com diagnóstico estabelecido em 2016 de neuromielite óptica, em uso de rituximabe desde 2017. No mesmo ano, iniciou quadro de diarreia, com fezes pastosas e volumosas, associada a cólica abdominal precedendo as evacuações e episódios febris noturnos de 38,8ºC. Foi internada e em investigação complementar foram excluídas causas infecciosas e de propedêutica realizou tomografia de abdome que evidenciou sinais inflamatórios em cólon sigmóide e descente. Realizada colonoscopia em dezembro de 2019 que evidenciou úlceras profundas e serpiginosas em íleo terminal, cólon e reto.
Enteroressonância magnética identificou alterações intestinais sugestivas de processo inflamatório cujo aspecto é compatível doença de Crohn. Foi estabelecido diagnóstico de Doença de Crohn e iniciado tratamento com prednisona, com resposta completa dos sintomas em uma semana.
Discutido em conjunto com a neurologia e visto remissão clínica com corticóide e imunossupressor, optado por manutenção de Rituximabe semestral conforme uso prévio, sem ter sido necessário interromper o uso durante seguimento.

Discussão

O rituximabe um anticorpo monoclonal que se liga ao antígeno CD20+ e é depletor de células B. Está associado à doença inflamatória intestinal droga induzida, incluindo novos casos, recorrência de DII já conhecida e quadros graves com complicações associadas.
Apesar de não ser uma medicação utilizada no tratamento da DII, seu uso no tratamento de outras doenças está associado a casos de surgimento ou reativação de colite imunomediada. Manifesta-se como RCU ou DC, com características clínicas, endoscópicas e histológicas semelhantes a DII manifesta na população geral.
Alguns estudos sugerem um aumento do risco de desenvolvimento de DII em pacientes em uso de rituximabe e questionam a existência de um efeito protetor dos linfócitos B no sistema gastrointestinal. Se aceita que ocorra uma reação medicamentosa idiossincrática, porém não há uma relação estabelecida entre tempo de tratamento e dose utilizada.

Comentários finais

O uso de agentes imunobiológicos é cada vez mais frequente no tratamento de doenças inflamatórias crônicas e doenças malignas, tendo surgido nos últimos anos várias novas drogas disponíveis para uso. Ainda não há muito conhecimento acerca dos efeitos relacionados ao seu uso a longo prazo e algumas medicações podem ser associadas a indução de colites imunomediadas, incluindo novos diagnósticos e recorrências de DII.

Palavras-Chave

Doença; Crohn; Rituximabe; Colite

Área

Gastroenterologia - Intestino

Autores

FELIPE NELSON MENDONÇA, ISABELA SOUZA MATEUS, JANEDSON BAIMA BEZERRA FILHO, MARILIA ADRIANO MEKDESSI, RENAN NUNES CRUZ, ANNA GABRYELA MEDEIROS AFONSO CARVALHO, GABRIELA SOUZA BUENO, SANDRO COSTA FERREIRA