XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

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Dados do Trabalho


Título

Peritonite bacteriana Espontânea por Salmonella não tifóide em cirrótico com CHC e glomerulopatia por hepatite C

Apresentação do Caso

Homem, 54 anos, com cirrose hepática de etiologia alcoólica e hepatite C virgem de tratamento, já descompensado com ascite não complicada. Apresentou quadro de síndrome edemigênica, hematúria dismórfica e proteinúria subnefrótica. Submetido a biópsia renal com diagnóstico de glomerulonefrite membranoproliferativa associada a vírus C. Indicado tratamento de hepatite C, porém abandonou acompanhamento médico. Após um ano, compareceu à consulta médica com aumento de alfafetoproteína e ressonância magnética com nódulos hepáticos compatíveis com CHC, dentro dos critérios de Milão, sendo listado para transplante hepático. Evoluiu com piora da ascite e dor abdominal. Análise de líquido ascítico com mais que 250/mm³ polimorfonucleares e GASA maior que 1.1. Feito diagnóstico de peritonite bacteriana espontânea e iniciado tratamento com ceftriaxona. Paracentese de controle após 48 horas de tratamento sem queda expressiva na contagem dos polimorfonucleares. Escalonada antibioticoterapia para piperacilina e tazobactam, também sem melhora. Cultura de líquido ascítico veio positiva para Salmonella não tifóde, com hemo e coproculturas negativas. Feito tratamento com ceftriaxona durante 14 dias com melhora clínica e da contagem de neutrófilos no líquido ascítico.

Discussão

A peritonite bacteriana espontânea é a infecção mais frequente em pacientes com cirrose. Associa-se a risco de síndrome hepatorrenal(SHR) e falência hepática crônica agudizada (ACLF).
O diagnóstico é feito pela análise do líquido ascítico com contagem de polimorfonucleares superior a 250 células/mm³ associado a cultura de líquido ascítico positiva. O tratamento consiste em antibioticoterapia e profilaxia de SHR com expansão com albumina.
Na literatura, encontramos 10 relatos/séries de casos em pacientes cirróticos com PBE por Salmonella não tifóide, sendo relacionada a condições imunossupressoras como infecção pelo HIV, neoplasias e tuberculose. Apenas dois casos tinham colite por Salmonella associada. Trata-se de infecção com mortalidade aumentada e requer tratamento com antibiótico prolongado.

Comentários finais

A PBE é a principal infecção nos pacientes cirróticos. E. coli e cocos gram positivos são as bactérias mais isoladas em culturas. A paracentese após 48 horas de tratamento antibiótico indica ausência de resposta caso a queda de polimorfonucleares seja menor que 25%. Peritonite por Salmonella deve ser suspeitada em pacientes cirróticos com alguma imunossupressão subjacente.

Palavras-Chave

peritonite bacteriana espontânea; Salmonella; imunossupressão

Área

Gastroenterologia - Fígado

Autores

Fernanda Costa Azevedo, Carla Almeida Rodolfo, Caio Guimarães Araújo, Luciana Lofêgo Gonçalves, Carla Regina Santana Morelato Bonadiman, Ana Carolina Mattos Pimentel Oliveira, Amanda Carrera Moreno, Layni Storch