XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

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Dados do Trabalho


Título

Úlcera Gástrica por Citomegalovírus: relato de caso

Apresentação do Caso

A.D.S, masculino, 68 anos, contexto oncológico de neoplasia de pulmão avançada, metastática (Câncer sólido de alto grau, diferenciado, não pequenas células), submetido à ressecção cirúrgica e tratamento adjuvante com quimioterapia e imunoterapia. Seis meses após início do tratamento evoluiu com dor epigástrica, hiporexia e perda de peso progressiva. Endoscopia digestiva alta revelou área de irregularidade de 4 cm no corpo gástrico, superficialmente deprimida (0-IIB + 0-IIC) em parede posterior do corpo proximal. Anatomopatológico com artefatos prejudicando a avaliação, porém sugerindo contexto neoplásico. Submetido a novo exame endoscópico, dessa vez com achados de extensa lesão úlcero-infiltrativa, com rigidez e redução da elasticidade, acometendo grande extensão do corpo gástrico, sendo novamente interrogado a hipótese neoplásica (linfoma?). Com nova histopatologia inconclusiva, realizou-se estudo imuno-histoquímico, que revelou gastrite infecciosa aguda ulcerativa associada a Citomegalovírus. Iniciado tratamento com ganciclovir por 6 semanas, com proposta de controle endoscópico após o término do tratamento.

Discussão

Úlcera por citomegalovírus está entre as causas raras de úlcera gástrica não associadas ao Helicobacter pylori. O Citomegalovírus tem sido associado a úlceras em pacientes imunocomprometidos, nos quais pode causar múltiplas ulcerações grandes e superficiais do estômago e esôfago. Se manifesta com dor em queimação subesternal e/ou epigástrica, podendo levar a quadros hemorrágicos mais raramente. Para maior possibilidade diagnóstica é recomendado pelo menos 6 biopsias das bordas e, principalmente, no centro das úlceras uma vez que o citomegalovírus infecta o endotélio do vaso, células epiteliais da mucosa e tecido conjuntivo do estroma. O achado em “olho de coruja “é muito específico, podendo ser confirmado também com o auxílio da imuno-histoquímica. Os pacientes devem receber tratamento com um agente antiviral (ganciclovir) por quatro a seis semanas, ou até que os sinais e sintomas tenham desaparecido. É fundamental tentar diminuir a imunossupressão vigente para que o tratamento antiviral seja bem sucedido.

Comentários finais

A úlcera gástrica por Citomegalovírus deve ser considerada no diagnóstico diferencial de úlcera gástrica Helicobacter pylori negativa, especialmente em pacientes imunossuprimidos. Muitas vezes apresenta aparência endoscópica indeterminada, exigindo biópsias múltiplas e o auxílio do estudo imunohistoquímico para comprovação diagnóstica

Palavras-Chave

úlcera gástrica; citomegalovírus; imunossuprimidos

Área

Gastroenterologia - Estômago/Duodeno

Autores

Sarah Teixeira Dantas, Gustavo Miranda Martins, Fernanda Lara Borges, Vitor Nunes Arantes, Edivaldo Fraga Moreira, Elisa Maria Reis dos Santos, Bruna Pereira França, Luana Antunes Silqueira Neves, Camila Guimarães Ribeiro de Moraes, Edivan Fernandes Frota Filho, Livia Quintanilha Santos