XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

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Dados do Trabalho


Título

O desafio das infecções no paciente cirrótico

Apresentação do Caso

Paciente de 55 anos, masculino, cirrótico de etiologia alcoólica, Child B8 MELD 20. Descompensado previamente em hemorragia digestiva alta varicosa (HDAv) e ascite não complicada. História de queda recente da própria altura, com fratura de três arcos costais.
Internou por piora aguda da função renal após introdução de diuréticos para tratamento de ascite. Evoluiu com tromboflebite séptica por Staphylococcus aureus resistente a oxacilina, submetido à trombectomia e iniciada daptomicina.
Em vigência de antibioticoterapia, manteve culturas positivas e apresentou dor, edema e eritema em topografia de arcos costais, com sinais de osteomielite aguda em imagem, sendo necessário prolongar o tratamento com daptomicina.
Evoluiu com febre e sintomas urinários, com diagnóstico de pielonefrite associada a ureterolitíase. Realizada passagem de cateter duplo J e iniciado meropenem.
Durante o tratamento, evoluiu com piora da ascite e aumento progressivo da celularidade, com predomínio mononuclear. Cultura positiva para Paecilomyces variotii. Iniciada Anfotericina B para tratamento de peritonite fúngica.
Evoluiu com queda progressiva da performance status e disfunções orgânicas, culminando em óbito.

Discussão

Infecções no paciente cirrótico têm grande impacto na saúde, com internações duas vezes mais prolongadas e mortalidade hospitalar superior a 50%.
Fatores inerentes e externos associados à cirrose levam a maior susceptibilidade e progressão das infecções nestes pacientes.
15% dos cirróticos internados desenvolvem infecções nosocomiais. O aumento progressivo das infecções na cirrose requer desenvolvimento de estratégias de prevenção, detecção precoce e tratamento das mesmas.
As infecções mais prevalentes no cirrótico são a peritonite bacteriana espontânea (PBE) e infecção do trato urinário (ITU). Infecções fúngicas ocorrem em 10-13% dos pacientes. As outras infecções ocorrem na mesma proporção entre os pacientes cirróticos e não cirróticos.
Em pacientes não elegíveis a transplante hepático, devemos considerar instituição de cuidados paliativos, promovendo maior qualidade de vida ao paciente.
A profilaxia de PBE e atualização do cartão vacinal são estratégias de prevenção de infecção. Quanto mais compensada a doença hepática, melhor a resposta imune à vacinação.

Comentários finais

A infecção é um marcador de mau prognóstico na cirrose hepática, sendo importante desenvolver estratégias eficazes de rastreio e tratamento.

Palavras-Chave

Peritonite fúngica, cuidados paliativos, infecções na cirrose

Área

Gastroenterologia - Fígado

Autores

Caio Guimarães Araújo, Fernanda Costa Azevedo, Carla Almeida Rodolfo, Amanda Carréra Moreno, Luciana Lofego Gonçalves, Carla Regina Santana Bonadiman, Ana Carolina Mattos Pimentel Oliveira, Pedro Pereira Bissoli, Rebeca Silva Moreira da Fraga