XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

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Dados do Trabalho


Título

HIPERÊMESE CANABINÓIDE: RELATO DE CASO

Apresentação do Caso

RBMR, 31 anos, há 2 semanas da consulta iniciou saciedade precoce que terminava em 3 a 8 episódios/dia de sialorréia, náuseas e vômitos. Conjuntamente havia epigastralgia e distensão abdominal. Em consultas médicas recebeu prescrição de procinéticos e inibidores da bomba de prótons sem sucesso. Era usuário de maconha tendo permanecido internado para recuperação por 8 meses. Após a alta reincidiu no uso. Negava doenças crônicas e uso de medicações. Ao exame, apresenta-se emagrecido e o abdome era doloroso à palpação epigástrica. Apresentava ultrassom de abdome sem alterações e endoscopia digestiva alta com gastrite sem H. pylori. Aventada a hipótese de Síndrome da Hiperêmese Canabinóide, foi medicado com antagonista 5-HT3, inibidor seletivo dos canais de potássio, antiespasmódico anticolinérgico e antidepressivo tricíclico. Foi orientado a interromper o uso de Cannabis sativa. Após 30 dias, apresentava melhora do quadro e iniciou descontinuação gradual das medicações.

Discussão

As Desordens de Náuseas e Vômitos (DNV) são as síndromes: da Náusea e Vômito Crônicos, do Vômito Cíclico e da Hiperêmese Canabinóide (SHC). Esta última é mais comum em homens que utilizam maconha 3-5 vezes/dia por mais de 2 anos. Há relato de 9 anos da demora no diagnóstico definitivo e numerosas visitas à emergência antes do disso (7,1+4,3). A fisiopatologia não é profundamente compreendida. Alguns canabinóides tem ação antiemética enquanto outros podem contribuir para vômitos. Enquanto o D9-tetrahidrocanabinol exibe efeito antiemético pela ação nos receptores CB1 do sistema nervoso central, o canabidiol mostra um efeito bifásico em animais, com ação antiemética em baixas doses e estimulação de vômito em altas doses. Canabigerol é um antagonista CB1 e 5-HT1A que bloqueia o efeito antiemético do canabidiol. A apresentação clínica é dividida em fases: pródromo, hiperemética e recuperação.O diagnóstico é clínico e é possível utilizar o laboratório quando a drogadição é negada. A endoscopia digestiva alta e exames de imagem são úteis na diferenciação diagnóstica. O tratamento principal é cessar o uso da droga, mas estão descritos o uso de antagonistas H1, M1, D2, 5-HT3 e NK1, benzodiazepínicos, antidepressivos tricíclicos e canabinóides.

Comentários finais

As DNV são incomuns e o seu desconhecimento leva ao atraso no diagnóstico e condutas inadequadas. O reconhecimento preciso é fundamental para emprego adequado das medicações e resolução do quadro.

Palavras-Chave

náusea; vômito; hiperêmese; Cannabis-sativa

Área

Gastroenterologia - Estômago/Duodeno

Autores

Ana Laura Nacari Duzi, Vinicius Magalhães Rodrigues Silva