XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

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Dados do Trabalho


Título

Enteropatia perdedora de proteínas associada a estrongiloidíase grave: um desafio diagnóstico.

Apresentação do Caso

Homem, 20 anos, hígido, com diarreia diária, edema ascendente, cólica e perda ponderal há 07 meses. Fez uso de ceftriaxona, antiparasitário e mesalazina, com melhora parcial. Negou uso de medicações antes do início do quadro.
Na admissão, observada redução da ausculta pulmonar bilateral, hipoalbuminemia (1,3), eosinofilia e elevação de PCR. Prescrito novo tratamento empírico para parasitoses com albendazol, ivermectina e metronidazol. Enterotomografia evidenciou espessamento difuso de delgado, mais evidente em íleo, com ingurgitamento da vasa recta, ascite moderada e derrame pleural bilateral. Endoscopia com linfangectasia duodenal e colonoscopia com enantema, edema e erosões em íleo terminal. Suspeitado de enteropatia perdedora de proteínas associada a doença de Crohn. Evolui com obstipação, dor e distensão abdominal, taquicardia e febre, sendo afastado obstrução intestinal, colhidas culturas e iniciado antibiótico empírico. Hemocultura apresentou crescimento de S. pneumoniae e paciente evoluiu com resolução do quadro agudo. Biópsia de íleo evidencia estrongiloidíase, sendo optado por tratamento com ivermectina por 14 dias. Parasitológicos de fezes e sorologias virais negativos. Apresentou melhora da diarreia, edema e hipoalbuminemia (2,8 na alta).
Após 08 meses, mantém-se assintomático, apresentando ganho ponderal. Traz novos parasitológicos negativos e nova enterotomografia sem espessamento.

Discussão

Estrongiloide é um parasita comum em países subdesenvolvidos, capaz de autoinfectar seu hospedeiro. Isso pode levar a um aumento massivo da carga parasitária, resultando em uma hiperinfecção. Essa tem repercussões clínicas severas como hipoalbuminemia, semioclusão intestinal e infecção de corrente sanguínea, além de sintomas respiratórios como dispneia, tosse, hemoptise e broncoespasmo. As taxas de mortalidade dessa entidade variam entre 10 – 80%. Os principais fatores de risco são uso de corticoide, HIV ou HTLV, comprometimento da imunidade celular e hipogamaglobulinemias.
No presente caso, a clínica típica, associada a detecção do parasita e boa resposta a terapia preconizada na literatura (ivertmectina oral) levaram ao diagnóstico de hiperinfecção pelo estrongilóide.

Comentários finais

O estrongilóde pode causar uma infecção grave, mesmo em indivíduos imunocompetentes. O diagnóstico pode ser um desafio devido ao quadro clínico semelhante a outras afecções do trato gastrointestinal, como a doença de Crohn. A detecção do parasita e a resposta ao tratamento corroboram o diagnóstico.

Palavras-Chave

Estrongilóde; Enteropatia perdedora de proteínas; Estrongiloidíase grave

Área

Gastroenterologia - Intestino

Autores

Vanessa Franca de Almeida, Carolina da Silva Beda Sacramento , Cândida Oliveira Alves, Marina Pamponet Motta, Livia Dórea Dantas Fernandes , Jorge Carvalho Guedes , Vanessa Tavares de Freitas , Débora Cerqueira das Neves de Brito, Karla Amaral de Gusmão Miranda, Diego Araújo Paternostro