XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

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Dados do Trabalho


Título

Relato de caso: Adenocarcinoma de reto em paciente com doença de Crohn em uso de terapia imunossupressora

Apresentação do Caso

Paciente, 38 anos, masculino, portador de doença de Crohn colônica desde 2005, em tratamento prévio com certolizumabe pegol de 2009 a 2014. Encaminhado ao nosso serviço em 2017 apresentando episódios de diarreia, fístulas perianais e emagrecimento de 20 kg em 3 meses. Colonoscopia evidenciando estenose circunferencial fibrosante no reto, com úlceras longitudinais e anatomopatológico descartando neoplasia. Iniciou tratamento com azatioprina e infliximabe (terapia anti-TNF). Evoluiu com melhora dos sintomas, porém necessitou de otimização da terapia com infliximabe. Em março de 2019, realizou colonoscopia de controle que evidenciou lesão vegetante, infiltrativa, ulcerada, friável com distorção do padrão de criptas ao NBI, medindo 3cm, subestenosante a 12cm da borda anal; restante do cólon com cicatrização de mucosa. Anatomopatológico: adenocarcinoma de padrão tubular com áreas mucosecretoras. Paciente foi encaminhado para radioterapia e quimioterapia neoadjuvante e aguarda cirurgia de ressecção do tumor.

Discussão

A Doença de Crohn (DC) é uma doença inflamatória intestinal (DII) com sintomas que alternam períodos de atividade e remissão. Pacientes com DII correm maior risco de desenvolver carcinoma colorretal (CCR) devido a inflamação da mucosa gastrointestinal. Outros fatores associados são o tempo de duração da doença e a extensão da colite. Embora o CCR raramente seja encontrado antes dos sete anos de doença, a partir desse período o risco aumenta a uma taxa de 0,5% a 1,0% ao ano. A maioria dos CCRs desenvolve-se a partir de uma lesão precursora displásica que podem ser polipoides, planas, localizadas ou multifocais. Logo, as terapias da DII estão ligadas ao controle das citocinas, que é o controle da inflamação, assim o TNF-alfa emergiu com uma intervenção de maior sucesso no tratamento da DII. No entanto, dado que imunomoduladores e agentes biológicos atuam no sistema imunológico, eles também podem promover a carcinogênese. Logo, a instalação de medidas de vigilância para prevenção e detecção precoce das neoplasias, ressecção das lesões suspeitas e controle de atividade da doença são importantes para o diagnóstico e intervenção precoce.

Comentários finais

Pacientes com DII apresentam risco aumentado de neoplasias. O risco-benefício do uso dos imunossupressores deve ser sempre avaliado. Medidas de prevenção e medidas de vigilância para tumores devem ser instaladas objetivando diagnóstico precoce e melhores taxas de sobrevida.

Palavras-Chave

Doença de Crohn, neoplasia, imunossupressores

Área

Gastroenterologia - Intestino

Autores

Mariana Barros Marcondes, Rodrigo Fedatto Beraldo, Luciana Rocha Almeida, Thais Gagno Grillo, Julio Pinheiro Baima, Ligia Yukie Sassaki