XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

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Dados do Trabalho


Título

Trombose da Veia Esplênica Após Uso de Implante Hormonal: Relato de Caso

Apresentação do Caso

O infarto esplênico ocorre quando há comprometimento do fluxo sanguíneo para o baço, levando a isquemia tecidual e eventual necrose. A apresentação mais típica é presença de dor em quadrante superior esquerdo do abdome. O tratamento varia desde suporte clinico até esplenectomia em casos graves. O uso das terapias hormonais em doses suprafisiológicas para fins estéticos em pacientes que não tem comprovada deficiência hormonal pode ocasionar diversos danos incluindo estado de hipercoagubilidade.
Paciente do sexo masculino, 35 anos, procurou atendimento médico com o quadro de dor abdominal súbita em hipocôndrio esquerdo de forte intensidade. Previamente hígido, sem comorbidades ou uso de medicamentos, negava eventos trombóticos prévio ou histórico familiar positivo. Negou etilismo ou tabagismo. O mesmo, relatou que há dois meses havia inserido o Implante Hormonal (IH) para fins estéticos que incluía: Anastrozol, Gestrinona, Testosterona, Progesterona além de Metformina, Nicotinamida-Adenina-Dinucleotídio e Tadalafila. Exame de imagem evidenciou áreas de infarto esplênico na porção ínfero lateral, relacionados à trombos intraluminais, não evidenciados trombos arteriais e ausência de esplenomegalia. Tentado terapia conservadora com sintomáticos, porém paciente evoluiu com piora da dor sendo optado pela realização da anticoagulação com Rivaroxabana por 3 meses. Após este período, houve negativação de D-dímero e confirmação pelo médico assistente de que o IH já havia cessado a liberação hormonal, sendo possível a suspensão da anticoagulação e iniciada a investigação pra trombofilias. Realizada dosagem de proteína C, proteína S, antitrombina III, Fator V de Leiden, Gene mutante da protrombina, anticoagulante lúpico, beta 2 glicoproteina IgG e IgM, Anti cardiolipina IgG e IgM, marcadores auto imune FAN e ANCA(p-ANCA e c-ANCA), sorologias para hepatites, HIV, perfil hepático, renal, tireoidiano, eletroforese de hemoglobina e pesquisa de mieloproliferações, sendo que todos se apresentaram dentro da normalidade. Atualmente o paciente encontra-se assintomático e sem novos eventos trombóticos.

Discussão

No relato, foram descartadas causas secundarias para trombose esplênica e dentre as causas de hipercoagubilidade apresentada houve o uso exógeno de hormônios sexuais masculinos e femininos, em doses suprafisiológicas.

Comentários finais

A pratica do IH está cada vez mais comum, trazendo consigo graves efeitos colaterais, pois tratamento com hormônios está associado à um aumento do risco tromboembólico.

Palavras-Chave

Trombose veia esplênica; Tromboembolismo; Circulação esplênica;

Área

Gastroenterologia - Miscelânea

Autores

Ketlin Batista de Morais Mendes, Wülgner Farias da Silva, Bárbara Silvestre Vicentim, Thaís Rockenbach Gaona Lenzi, Iara da Costa Scharff, Iane da Costa Scharff, Ananda Castro Chaves Ale, Ana Beatriz da Cruz Lopo de Figueiredo, Wanderson Assunção Loma, André Nazário de Oliveira, Thayane Vidon Rocha Pereira, Rodrigo Oliveira de Almeida, Arlene dos Santos Pinto