XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

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Dados do Trabalho


Título

Colite grave em paciente pós-transplante hepático por colangite esclerosante primária e hepatite autoimune: é seguro a terapia de resgate com infliximabe? - Relato de caso

Apresentação do Caso

Mulher, 41 anos, transplantada de fígado por hepatite autoimune (HAI) e colangite esclerosante primária (CEP) há 9 anos com recidiva de CEP pós-transplante. Portadora de retocolite ulcerativa (RCU) desde o pré-transplante, fez uso de azatioprina com necessidade de suspensão por hiperplasia nodular regenerativa e pancitopenia no pós-transplante; em uso atual de sulfassalazina e tacrolimus (nível sérico 9-12ng/ml); postergado uso de anti-TNF por receio de recidiva da HAI. Histórico prévio de espondilodiscite durante surto de agudização da RCU há 2 anos. Admitida por diarreia sanguinolenta (10x/dia), dor abdominal e abaulamentos esternal, cervical e vulvar, sugestivos de abscessos há 2 semanas. Ao exame, emagrecida, desidratada, taquicárdica, febril, hemoglobina=5.7g/dL, albumina=3.1g/dL e VHS=138mm/h. Tomografia de abdome com sinais de pancolite em atividade, sem megacólon. Descartados Clostridium difficile, citomegalovírus e germes oportunistas. Iniciada antibioticoterapia e corticoide venoso por 5 dias, sem melhora clínica. Retossigmoidoscopia com mucosa edemaciada, friável e com úlceras profundas. A PET-CT evidenciou realce cervical, esternal, vulvar e em alças intestinais. Na punção da coleção esternal houve saída de pus, sem identificar agente infeccioso. Devido à refratariedade ao corticoide endovenoso e presença de infecção ativa em vigência de imunossupressão com tacrolimus, optado por colectomia total e ileostomia, com resolução do quadro.

Discussão

Transplantados de fígado por CEP com RCU podem apresentar maior risco de recidiva da doença intestinal, necessidade de corticoide, colectomia, infecção por Clostridium e displasia/câncer colorretal. Na colite grave refratária a corticoide, infliximabe ou ciclosporina são opções. O infliximabe sofre espoliação fecal e maior consumo em inflamação importante, com menores concentrações em desnutridos. Em séries de casos, o uso de anti-TNF parece estar relacionado à HAI imunomediada, causa de hepatite fulminante e perda do enxerto. A relação entre recidiva da HAI e uso de anti-TNF não é muito bem elucidada na literatura. Pela necessidade de múltiplas transfusões, presença de infecção ativa em paciente imunossuprimida e com histórico de espondilodiscite, foi optado por colectomia total com resolução do quadro.

Comentários finais

A conduta terapêutica frente à colite grave deve ser individualizada diante das características e antecedentes do paciente, assim como a apresentação e gravidade da doença.

Palavras-Chave

Colangite esclerosante; Retocolite Ulcerativa; Hepatite Autoimune; Transplante de fígado

Área

Gastroenterologia - Intestino

Autores

Marcus Vinícius de Acevedo Garcia Gomes Gomes, Bruna Damásio Moutinho, Mariana de Lira Fonte, Maira Andrade Nacimbem Marzinotto, Flair José Carrilho, Luiz Augusto Carneiro D"Albuquerque, Alexandre de Souza Carlos, Matheus Freitas Cardoso Azevedo, Débora Raquel Benedita Terrabuio