XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

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Dados do Trabalho


Título

Ascite e hidrotórax quiloso como descompensação da cirrose hepática: relato de caso

Apresentação do Caso

Homem de 48 anos, negro, etilista (±85 g/dia), há 20 anos, com diagnóstico de doença hepática alcoólica há 4 anos. Admitido com queixa de dispneia aos mínimos esforços e distensão abdominal progressiva. Regular estado geral e taquipneico. Ausculta pulmonar diminuída à esquerda. Abdômen distendido, macicez nos flancos e indolor. Classificação Child-Pugh - C10 e MELD 21. Realizado radiografia do tórax com extenso derrame pleural esquerdo confirmado pela tomografia de tórax. Paracentese com retirada de 7 litros de liquido ascitico, quiloso, cuja avaliação bioquímica revelou uma ascite quilosa (triglicerides: 594). Devido desconforto respiratório progressivo e aumento de aporte de oxigênio, foi optado por inserção de dreno torácico pigtail com drenagem com drenagem imediata de 1 litro de líquido pleural, quiloso e espesso, cuja avaliação revelou ser um quilotórax (triglicerides 517). Paciente evoluiu com lesão renal aguda respondedor ao protocolo de albumina no cirrótico. Descartado causas de malignidade em exames complementares e linfocintilografia com ausência de extravasamento do liquido linfático. Paciente realizou uma dieta rica em proteínas e pobre em gorduras, hipossódica com triglicerídeos de cadeia média. Realizado controle de triglicérides na ascite com diminuição para 88. Ao 10º dia de internação foi retirado o dreno torácico e devido evolução favorável do ponto de vista renal, iniciou otimização de diuréticos via oral como furosemida e espironolactona, sem progressão do derrame e da ascite, recebendo alta hospitalar.

Discussão

Relatamos aqui um caso de paciente jovem com diagnóstico de cirrose hepática por álcool descompensado em ascite e hidrotórax quilosos, caracterizados pelo aumento expressivo de triglicérides nos líquidos. As principais causas subdividem-se em traumáticas e não traumáticas, dentro destas, as neoplásicas e mais raramente a cirrose hepática. A incidência da ascite quilosa é de aproximadamente 1 em 20.000 admissões e mortalidade de 40–70% dos casos. No caso relatado, afastado outras causas, iniciado dieta e diureticoterapia com melhora importante do quadro.

Comentários finais

O caso relatado de paciente cirrótico por álcool ressalta a importância da análise do líquido ascítico como também do derrame pleural em todos os pacientes cirróticos, reforçando a investigação diagnostica pormenorizada e precisa como a realização de terapêutica precocemente para o controle dos sintomas clínicos e reversão do quadro.

Palavras-Chave

Ascite quilosa, Quilotórax, Cirrose

Área

Gastroenterologia - Fígado

Autores

Vanessa Madrid Vivo, Daniela Silva Galo, Livia Jayme Paulucci, Isabelle Faleiros Fernandes, Lara Veiga Freire, Natalia Engler Ravasio, Roniki Clean Sa Florencio, Edla Polsinelli Bedin Mascarin Vale, Rayssa Barbiere Pascoal