XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

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Dados do Trabalho


Título

PREVALÊNCIA DO EPITÉLIO DE BARRETT EM PACIENTES COM REFLUXO GASTROESOFÁGICO SUBMETIDOS À ENDOSCOPIA DIGESTIVA ALTA NO GASTROCENTRO DA UNICAMP

Introdução

Dos pacientes com doença do refluxo gastroesfágico (DRGE), sabe-se que cerca de 10 a 15% apresentam esôfago de Barrett (EB) que é uma doença adquirida por conta da agressão crônica do ácido estomacal, levando à metaplasia intestinal pela substituição do epitélio escamoso endoscopicamente visível por mucosa glandular com presença de células caliciformes no esôfago distal. Através da endoscopia digestiva alta (EDA) é possível visualizar essa alteração e, somada à biópsia, pode haver a comprovação do diagnóstico de EB. De acordo com esses achados é possível classificar a metaplasia intestinal em Barrett curto, Barrett longo ou em ilha de mucosa de Barrett. Além disso, sabe-se que o EB apresenta um epitélio geneticamente instável com riscos para displasia e adenocarcinoma.

Objetivo

Definir a prevalência do EB em pacientes submetidos a EDA por conta da DRGE no Gastrocentro da UNICAMP e analisar a frequência dos sexos, da faixa etária, das etnias e a proporção de Barrett longo e curto. Além da comparação dos dados obtidos com o estudo realizado no Gastrocentro da UNICAMP em 1997 e com a literatura mundial.

Método

Estudo retrospectivo descritivo, do tipo transversal, com abordagem quantitativa e qualitativa dos dados. A avaliação foi feita através do teste de Qui-quadrado e o nível de significância adotado para o estudo foi de 5%.

Resultados

No período em questão 1389 pacientes realizaram EDA em decorrência da DRGE e 75 deles tiveram o diagnóstico de EB confirmado com biópsia. Dessa forma, a prevalência do Epitélio de Barrett no Gastrocentro da UNICAMP é de 5,4%. A prevalência de EB é 64% no sexo masculino, 86,7% na etnia branca e a faixa etária predominante é acima de 60 anos concentrando 56% dos pacientes. Além disso, 57,6% dos pacientes apresentaram Barrett curto e 38,7% apresentaram Barrett longo. Em 82,7% dos pacientes não havia displasia, enquanto 6,7% apresentavam adenocarcinoma.

Conclusão

A análise mostra que houve uma mudança na faixa etária entre 1997 e 2018, com aumento desta agora, concentrando a maior parte dos pacientes com idade acima de 60 anos. Além disso, não houve mudança significativa na distribuição por sexo, mantendo a prevalência no sexo masculino (64%). A prevalência é na etnia branca, assim como encontrado na literatura mundial. Além disso, segundo a literatura mundial, o risco de que o epitélio de Barrett evolua para um câncer foi de 0,2 a 2,9% ao ano, chamando a atenção que desses pacientes analisados 6,67% evoluíram para adenocarcinoma de esôfago, um número relativamente alto.

Palavras-Chave

Esôfago de Barrett. Refluxo Gastroesofágico. Endoscopia Gastrointestinal.

Área

Gastroenterologia - Esôfago

Autores

Isabella Augusti, Luiz Roberto Lopes