XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

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Dados do Trabalho


Título

COLANGIOPATIA APÓS INFECÇÃO PELA SÍNDROME RESPIRATÓRIA AGUDA GRAVE PELO CORONAVÍRUS (SARS-COV-2)

Apresentação do Caso

LPR, 74 anos, ♀, branca, em recuperação de pneumonia viral grave evolui no terceiro mês de internação com aumento de enzimas canaliculares (gamaGT 970ui, fosfatase alcalina 1200ui), flutuação de transaminases (TGO e TGP – 4x vnl) e elevação da bilirrubina total (BT 5.2, BD 4.8g/dL). Sem hepatopatia prévia ou estigmas de doença crônica ao exame físico e imagens; ingesta etanol < que 20g/dia. Avaliação negativa para doenças primárias do fígado (hepatites virais, colangites biliar ou esclerosante primárias, erros inatos do metabolismo de ferro e cobre, outras), incluindo marcadores de autoimunidade. ColangioRessonância mostrou dilatação e estreitamento irregular das vias biliares intra-hepáticas, sugerindo colangite esclerosante-like. Histopatológico mostra colestase acentuada, padrão obstrutivo – secundária a alterações reativas do epitélio biliar correspondendo à colangite esclerosante secundária. Prescrito ácido ursodesoxicólico (AU) 15mg/kg sem melhora bioquímica após quatro semanas. Na vigência de falha terapêutica ao AU e por se tratar de entidade nova com características progressivas, iniciamos combinação com prednisona em baixa dose (20mg/d) na tentativa de interromper a agressão contínua à via biliar. A paciente segue estável ainda com prurido importante, mas flutuação da colúria e acolia fecal. Dependendo da resposta dinâmica à terapêutica a(s) dose(s) serão escalonadas.

Discussão

A infecção pelo coronavírus 2019 (COVID-19) resulta em frequentes alterações agudas da bioquímica hepática. Elevações das aminotransferase são as mais comuns, graves e associadas a piores desfechos clínicos. Em colangiócitos, a expressão da enzima conversora de angiotensina-2 (receptora para o vírus SARS-CoV-2) favorece injúria à via biliar que pode cursar com colangiopatia progressiva e morbidade no longo prazo. Doenças secundárias de via biliar carecem de terapêutica específica e pouco respondem à terapia imunomoduladora ou supressora. A fisiopatologia da colangiopatia pós-COVID ainda não é completamente entendida e pode incluir fenômenos isquêmicos e autoimune-like. O acesso às ferramentas diagnósticas específicas (imagem e histologia) é fundamental para seu diagnóstico.

Comentários finais

O manejo dessa complicação tardia ainda não é consensual e a preocupação é que leve pacientes ao transplante de fígado. Um melhor entendimento dessa recém-descrita condição e o acompanhamento por equipe multidisciplinar é fundamental para sua prevenção e tratamento.

Palavras-Chave

colangiopatia; coronavírus

Área

Gastroenterologia - Fígado

Autores

Natália Vargas do Nascimento, Giovana Victoria Nobre Olmos, Marcelo Abrahão Costa, Thicianie Fauve Andrade Cavalcante, Mayra Veloso Ayrimoraes Soares, João Paulo Giacomini Bernardes