XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

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Dados do Trabalho


Título

SEROCONVERSÃO “s > anti-s” E ELIMINAÇÃO DO VÍRUS DA HEPATITE B CRÔNICA (HBV) “MUTANTE PRÉ-CORE” EM PACIENTE COM MUTAÇÃO C282Y/H63D (HETEROZIGOTO COMPOSTO) PARA HEMOCROMATOSE HEREDITÁRIA

Apresentação do Caso

R.G.B., 64 anos, masculino, diagnosticado com HBV em 2003. Sorologias: HBsAg+, anti-HBs –, HBeAg–, anti-HBe+, anti-HBcIgM–/IgG+, anti-HDV–. Carga viral (CV)>2000ui, iniciou tratamento com lamivudina 100mg/d (LAM). Biópsia hepática METAVIR F1/F2. Portador de hemocromatose hereditária (HE) – heterozigoto composto. Ferro tecidual=8mg (nl<2mg) por Ressonância Magnética Nuclear (RMN), submetido a sangrias terapêuticas. Em 11-2007, após quatro anos de monoterapia com LAM fez escape viral com CV=2300ui, e CV=4100ui em 02-2008. Acrescentado adefovir (ADV) 10mg com CV indetectável em 07-2008. Após dois anos de consolidação do combo antiviral (08-2010), foi suspensa LAM, seguindo monoterapia com ADV. Em 2012, paciente seguiu estável com Fibroscan=5.1kpa (F1) e Elastografia RMN=2.5kpa (F1). No início de 2018, o ADV foi substituído por tenofovir (TDF) 300mg. Nesse período, as funções hepáticas sintética e excretora estavam preservadas – repetição das sorologias mostrou HBsAg–, HBeAg–, anti-HBe+, anti-HBs+ (baixo título=37ui). Em 2021, após três anos de consolidação da seroconversão HBsAg–, anti-HBs+ 40ui, e persistente CV indetectável, foi decidido com o paciente a suspensão da terapia antiviral e o acompanhamento com controle clínico e laboratorial para consolidação da resposta virológica sustentada e cura funcional.

Discussão

A monoterapia sequencial do HBV e suas formas mutantes pré-core com análogos núcleo(t)sídeos (NUCs) se tornaram consensual há anos. O escape viral (resistência) é uma realidade nesse cenário, mas pode ser mitigado pelo escalonamento ou associação dos antivirais disponíveis. A média de seroconversão completa, com perda do antígeno “s” e surgimento do anti-HBs+, é aproximadamente 2%, independente do status do antígeno “e”. A perda do HBsAg continua sendo o melhor indicador de desfechos favoráveis de longo prazo e pode apontar o momento correto para a suspensão dos antivirais em uso, uma vez que o risco de reativação da infecção é muito baixo.

Comentários finais

Segundo diretrizes científicas, a monoterapia de longo prazo para o HBV enfrenta problemas adicionais como adesão, efeitos colaterais e, particularmente, custos. Mesmo que outros cenários sorológicos ofereçam oportunidades para descontinuação de NUCs , a perda do HBsAg e a cura funcional continuam sendo, consistentemente, os melhores endpoints para essa indicação.

Palavras-Chave

hepatite B; hemocromatose hereditária.

Área

Gastroenterologia - Fígado

Autores

Giovana Victoria Nobre Olmos, Natália Vargas do Nascimento, Marcelo Abrahão Costa, Thicianie Fauve Andrade Cavalcante