XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

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Dados do Trabalho


Título

Úlcera de Cameron e Hemorragia Digestiva - Relato de caso

Apresentação do Caso

Paciente 16 anos, masculino, diagnóstico de Paralisia Cerebral, Doença do Refluxo Gastroesofágico e anemia crônica, admitido em 05/06/21 com dor e distensão abdominal e constipação intestinal há 1 semana. Realizada passagem de sonda nasoenteral. Após quatro dias apresentou episódios de hematêmese, com queda hematimétrica e necessidade transfusional. Apesar do tratamento clínico com inibidor de bomba de prótons (IBP) e procinéticos manteve queda hematimétrica. Realizou endoscopia digestiva alta (EDA) em 14/06/21 com "Esofagite erosiva grau C de Los Angeles, Hérnia de Hiato por deslizamento de grande volume (6 cm), úlcera de estômago herniado (úlcera de Cameron), ativa com vaso visível e volumosa estase gástrica hemorrágica; realizado hemostasia com epinefrina e plasma de argônio. Realizado revisão endoscópica em 24 horas ("second look"): úlcera com vaso visível e sangramento em jato após a manipulação endoscópica, realizado escleroterapia com epinefrina, devido indisponibilidade de outros métodos, e otimizado tratamento clínico. Evoluiu com melhora clínica, estabilidade hemodinâmica e sem novas exteriorizações sanguíneas. EDA em 28/06/21, para avaliação da úlcera e de confecção de gastrostomia: ‘úlcera em cicatrização precoce, sem sinais de sangramento; transiluminação com estômago intratorácico’, indicado gastrostomia cirúrgica, realizada sem intercorrências.

Discussão

DISCUSSÃO: Trata-se de um paciente com úlceras de Cameron complicada com anemia crônica e sangramento agudo grave. Úlceras de Cameron são lesões sobre as pregas da mucosa ao nível do hiato diafragmático, em pacientes com hérnia hiatal. A incidência é de aproximadamente 5% em pacientes com hérnia hiatal, com maior correlação com hérnias volumosas. A apresentação mais comum é a hemorragia digestiva crônica, associada à anemia ferropriva. Em 1/3 dos casos, observa-se quadro agudo de hemorragia digestiva alta, com alta mortalidade. A associação com doença péptica, como a esofagite de refluxo, é muito frequente, assim como no caso. A etiologia não está completamente esclarecida, traumatismo mecânico, isquemia e a lesão ácida podem ter relevância. O exame padrão-ouro é a EDA. O tratamento deve ser individualizado, com medidas clínicas (IBP e procinéticos), hemostasia endoscópica e/ou abordagem cirúrgica.

Comentários finais

Úlceras de Cameron são pouco frequentes e normalmente diagnosticada tardiamente. O diagnóstico precoce e tratamento adequado, evita complicações crônicas e agudas, como as que ocorreram no caso relato.

Palavras-Chave

Úlcera de Cameron; Hérnia de Hiato; Hemorragia digestiva

Área

Gastroenterologia - Esôfago

Autores

KARINNE SOARES ISAAC, THALITA DA COSTA MARGARIDA, MIRELA REBOUÇAS FERNANDES DE LIMA, AMERICO DE OLIVEIRA SILVÉRIO, THOMAS RODRIGUES DE ALMEIDA BARROS, ISABELLE PINA DE ARAUJO, NATHALIA CARVALHO FERNANDES