XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

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Dados do Trabalho


Título

RELATO DE CASO: MANIFESTAÇÃO EXTRAINTESTINAL NA DOENÇA DE CROHN: DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Apresentação do Caso

Paciente masculino, 17 anos, iniciou em 2019 quadro de diarreia e saÍda de fezes ao redor do anus secundária a presença de fístula perianal. Após investigação foi feito diagnóstico de DC ileal e perineal fistulizante. Paciente fez uso de infliximabe e azatioprina e evoluiu com melhora total dos sintomas. O mesmo retorna em 14/02/20 referindo lesão ulcerada na região poplítea e tibial direita, abdome há 3 meses. Foi submetido a biópsia das lesões para descartar linfoma cutâneo resultando em processo inflamatório compatível com pioderma gangrenoso. Recebeu corticosteoide e manteve infusão de infliximabe em 10mg/kg. Entretanto, as lesões não apresentaram melhora, ao contrário, cada vez mais profundas. Paciente foi submetido a nova biópsia que após duas revisões identificou hifas de leishmania . Após o diagnóstico de leishmaniose cutânea, foi tratado com Glucantine, com melhora das lesões em 50%, mas devido aos efeitos adversos não tolerados pelo paciente, o tratamento foi substituído por, anfotericina, com excelente resposta.

Discussão

O diagnóstico laboratorial da leishmaniose tegumentar baseia-se principalmente na pesquisa de parasitas em esfregaço das lesões após a coloração de Giemsa. Utiliza-se biópsia do bordo escarificado da lesão com impressão por aposição em lâmina de vidro e/ou punção aspirativa da lesão. Pode-se realizar o diagnóstico de forma indireta, através da mensuração da resposta imune celular com a injeção intradérmica de antígenos do parasita (intradermorreação de Montenegro), que deve ser medida em 48 a 72 horas, sendo consideradas positivas as reações com área de enduração maior que 5mm. No diagnóstico diferencial com lesões cutâneas, excluir úlceras traumáticas, de estase, tropicais, diabetes, anemia falciforme, piodermites, paracoccidiodomicose, esporotricose, cromoblastomicose, neoplasias cutâneas, sífilis, e hanseníase virchowiana.

Comentários finais

Diante do caso, concluímos que as manifestações extraintestinais nas doenças inflamatórias (DII) ocorrem de maneira frequente e exigem uma anamese e exame físico detalhados, em busca de sinais e sintomas que possam nos levar ao diagnóstico. Doenças oportunistas em pacientes que fazem uso de imunossupressores também devem ser investigadas categoricamente. O tratamento precoce de cada uma delas tem a possibilidade de mudar o desfecho e resposta clínica, com melhora da qualidade de vida e menor morbimortalidade dos pacientes acometidos pelas DII.

Palavras-Chave

Doença de Crohn; Leishmaniose; fístula

Área

Gastroenterologia - Intestino

Autores

Dayana Peterle Christo, Lorena Rocha Dias Machado, Nayanny Pereira de Sá Lima, Jhankarla Salazar Hinojosa , Luiz Fillipe do Carmo Zanotti, Maria Zuleide Felizola Leão Almeida, Caiane Santos Rios, Anelisa Sena Machado, Lucia Safatli Barbosa, Verônica Grobério Nicoli, Andrea Vieira, Perla Oliveira Schulz Mamone, Roberto Gomes da Silva Junior, Maria Luiza Queiroz Miranda, Pedro Henrique Oliveira Brito de Alencar