XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

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Dados do Trabalho


Título

Carcinoma hepatocelular em paciente não cirrótico com vírus da hepatite B: contribuição da coinfecção por esquistossomose?

Apresentação do Caso

Homem, 43 anos, natural de Minas Gerais, portador do vírus da hepatite B (VHB) há 30 anos, mas sem tratamento. Estava assintomático e sem alterações no exame físico. Os exames revelavam discreto aumento de aspartato aminotransferase (AST) e alanina aminotransferase (ALT). As provas de função hepática eram normais, assim como as enzimas canaliculares. O HBV DNA quantitativo era de 238.362 UI/ml (log 5,3) e o HBeAg, reagente. Não havia hepatopatia crônica ou lesões suspeitas em imagem e a alfafetoproteína (AFP) era normal. Foi realizado biópsia hepática, evidenciando hepatite crônica com ausência de fibrose, e discreta atividade de interface associada ao VHB. Além disso, foi observado granuloma contendo estrutura ovalada sugestiva de ovo Schistosoma mansoni. Optou-se por realizar tratamento com Tenofovir 300mg/dia. Após três meses houve redução da carga viral para 44 UI/ml e as aminotransferases se normalizaram. Dois anos após, exame de rastreio evidencia imagem nodular, posteriormente diagnosticada como carcinoma hepatocelular (CHC). A dosagem de AFP era normal. Paciente foi submetido a nodulectomia com exérese completa da neoplasia. Evoluiu satisfatoriamente após abordagem do CHC e até o momento, mantém seguimento ambulatorial regular. Continua uso de Tenofovir, porém, ainda sem soroconversão para antiHBs. A carga viral permanece indetectável.

Discussão

Os CHCs relacionados ao VHB podem surgir em fígados não cirróticos como retratado no caso, fato que sugere que o VHB desempenha um papel direto na ativação de vias oncogênicas. É possível também a ocorrência de CHC em pacientes tratados para VHB. Como a carcinogênese pode começar vários anos antes do diagnóstico do tumor, pode-se notar surgimento de lesões malignas durante os primeiros anos de uma terapia antiviral efetiva. No caso do paciente descrito, havia também o insulto hepático da esquistossomose. Estudo em modelo animal mostrou que os fatores de transcrição associados ao CHC (c ‐ Jun e STAT3) podem ser ativados em hepatócitos de um fígado contendo ovos de S. mansoni, fato que pode ser agravado na combinação de outros fatores como hepatite viral ou exposição a carcinógeno.

Comentários finais

A coinfecção pelo VHB e esquistossomose crônica é comum em áreas onde a esquistossomose é endêmica. Os efeitos da combinação de agentes hepatotrópicos pode causar doença hepática avançada e de forma geral, piora do desfecho. Porém, existem ainda poucos dados sobre a contribuição da esquistossomose na gênese do CHC em portadores de VHB.

Palavras-Chave

VHB, esquistossomose, CHC

Área

Gastroenterologia - Fígado

Autores

Talita Ramos de Alencar Silva, Fernanda Correa Chaves, Antonio Eduardo Benedito Silva, Maria Lucia Gomes Ferraz