XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

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Dados do Trabalho


Título

Artrite séptica poliarticular em paciente pós-transplantado hepático por Colangite Esclerosante Primária - Relato de Caso

Apresentação do Caso

Homem, 45 anos, transplantado de fígado há nove anos por Colangite Esclerosante Primária, com recidiva da doença pós-transplante (Tx) e cirrotização do enxerto. Portador de Retocolite Ulcerativa desde o pré-Tx, em uso de mesalazina, ácido ursodesoxicólico e tacrolimus. Iniciou com febre de 38°C, confusão mental, astenia, artrite em joelho direito há 3 dias, com taquicardia e hipotensão e foi internado para investigação. A cultura do líquido sinovial identificou Pseudomonas aeruginosa ESBL e foi negativa para fungos/micobactérias. A despeito do tratamento com Meropenem evoluiu com poliartrite assimétrica em mãos, punhos, cotovelos e tornozelos. Exames laboratoriais evidenciaram aumento de bilirrubinas e lesão renal aguda, caracterizando Acute on Chronic Live Failure (ACLF) Grau III. Ecocardiograma descartou endocardite e o provável foco de embolização bacteriana foi uma fístula biliar. Apesar das medidas, evoluiu com falência terapêutica, choque séptico e óbito.

Discussão

A Artrite séptica poliarticular (ASP) é rara em comparação com a monoarticular, considerada uma emergência pelo alto potencial de perda funcional articular. Sua incidência é incerta, representando até 36% dos casos de artrite séptica e mortalidade de até 32%, mesmo com tratamento adequado. Os dados de literatura ainda são escassos, baseados em relatos/séries de casos. Em pacientes com diagnóstico prévio de artropatia crônica, é difícil a distinção clínica com episódios de exacerbação da doença de base, pois os achados de inflamação articular e elevação de marcadores inflamatórios podem ser semelhantes. Deve-se considerar como diagnósticos diferenciais a Artrite Reativa, Gota e Osteoartrite. Os fatores de risco mais associados à ASP são Artrite Reumatoide, Diabetes Mellitus, infecção de partes moles, idade maior que 60 anos, uso de drogas endovenosas e imunossupressão. Existem relatos de infecções atribuídas a Pseudomonas aeruginosa em usuários de anti-TNF, sem dados suficientes sobre outros imunossupressores, como os inibidores de calcineurina, como fator de risco para ASP.

Comentários finais


A Artrite séptica poliarticular deve ser considerada como diagnóstico diferencial em todo imunossuprimido com quadro articular. O estudo microbiológico por artrocentese é indispensável, levando-se em consideração patógenos atípicos neste grupo de pacientes. Pela alta morbimortalidade a suspeição do quadro e o início do tratamento devem ser feitos precocemente.

Palavras-Chave

artrite septica poliarticular
artrite infecciosa
sistema imune
imunossupressores

Área

Gastroenterologia - Miscelânea

Autores

Diogo Delgado Dotta, Bruna Damásio Moutinho, Olívia Duarte de Castro Alves, Flair José Carrilho, Alice Tung Wan Song, Maristela Pinheiro Freire, Luiz Augusto Carneiro D'Albuquerque, Débora Raquel Benedita Terrabuio