XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

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Dados do Trabalho


Título

Alteração de testes hepáticos na infecção por COVID-19: um Relato de Caso

Apresentação do Caso

Paciente feminina, 61 anos, com histórico de depressão e fibromialgia, em uso crônico de venlafaxina, negava doença hepática prévia. Apresentou sintomas gripais, recebendo o diagnóstico de infecção por coronavírus (COVID-19), confirmada por RT-PCR. Foi medicada com ivermectina, cloroquina e prednisona. Durante a evolução da doença foi preciso internação hospitalar por dispneia e hipoxemia, com necessidade de oxigenoterapia em alto fluxo. A tomografia de tórax constatou acometimento de cerca de 50% do parênquima pulmonar. Ao longo da internação recebeu prednisona, enoxaparina, azitromicina e ceftriaxona. Evidenciou-se alteração importante de testes hepáticos, mais explícito de enzimas canaliculares, as quais atingiram um máximo de 3 vezes o limite superior da normalidade (x o LSN) para fosfatase alcalina (FA) e 25x o LSN para gama glutamil transferase (GGT). Aspartato aminotransferase (AST) chegou a 2x o LSN e alanina aminotransferase (ALT) a 5x o LSN. Não apresentou icterícia nem alteração de função hepática. Após alta, manteve seguimento ambulatorial e apresentou redução progressiva das alterações bioquímicas até sua normalização, que ocorreu cerca de um mês após início dos sintomas da COVID-19.

Discussão

A COVID-19 é uma doença que afeta principalmente o sistema respiratório, porém pode acometer múltiplos órgãos e sistemas. Testes hepáticos anormais são comumente observados em indivíduos hospitalizados e podem ser vistos em até 78% dos casos. Tais alterações são mais importantes quanto mais grave for a doença. As transaminases são as enzimas usualmente mais alteradas, porém quadros graves de colestase também vêm sendo relatados na literatura, devido à expressão de receptores da enzima conversora de angiotensina 2 nos colangiócitos, o mesmo receptor utilizado pelo coronavírus. Os possíveis mecanismos de injúria hepática descritos até o momento envolvem também ação direta do vírus e isquemia. As medicações utilizadas durante o tratamento da doença podem levar a modificação destes testes, porém são mais raras.

Comentários finais

Pode-se inferir que a etiologia da alteração dos testes hepáticos é multifatorial e estudos futuros são cruciais para validar diretamente o vínculo entre exames de função hepática, a COVID-19 e sua gravidade, bem como avaliar o uso de terapias na expectativa de reduzir a morbimortalidade da doença.

Palavras-Chave

Transaminases, Coronavírus, Enzimas canaliculares, Colestase, Injúria hepática

Área

Gastroenterologia - Miscelânea

Autores

Maria Eduarda Zen Biz, Henrique Boell Pimentel, Mariele Camile Evelyn Schaefer, Vanessa Santos Andrade Cruz Vento