XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

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Dados do Trabalho


Título

Hepatotoxicidade por Amitriptilina: Relato de caso

Apresentação do Caso

R.A.F.F, feminina, 59 anos, com queixa de dispepsia e prurido generalizado. Hipertensa, hipotireoidea, diabética e esteatose hepática em uso de Atenolol, Hidroclorotiazida, Levotiroxina e Metformina. Início de Bromazepam e Amitriptilina para depressão. Colecistectomia há 26 anos. Ao exame: icterícia +/4+ e dor à palpação do andar superior do abdome de forte intensidade. Sem outras alterações.
Feito Ursacol 300 mg/dia; Loratadina 10 mg/dia; Pantoprazol 40 mg/dia; Orlistat 120 mg 2x/dia; Vitamina E 400 mg 2x/dia e mudança de estilo de vida.
No retorno melhora do quadro dispéptico com uso da medicação. Aumento das transaminases e GGT, quando foi solicitada a interrupção da Amitriptilina. Após suspensão, queda significativa dos valores, sendo introduzido novamente o antidepressivo. Retorno do aumento das transaminases e nova queda após suspensão. Nas consultas seguintes houve normalização das transaminases, e melhora completa do quadro álgico.

Discussão

Os derivados dibenzazepínicos, imipramina e amitriptilina correspondem a uma das drogas mais utilizadas para o tratamento da depressão, atuando principalmente na inibição da recaptação da serotonina-norepinefrina. Podem ser considerados os sucessores dos inibidores da MAO, que por muitos anos foram os únicos agentes efetivos disponíveis para essa enfermidade.
Dentre os efeitos adversos descritos para a amitriptilina, destacam-se: sonolência, tonteiras, hipotensão ortostática, bloqueio de condução cardíaca, retenção urinária, constipação, xerostomia, visão turva, ganho de peso e redução do limiar convulsivo. Embora não seja muito frequente, estudos apontam que a hepatotoxicidade causada por medicamentos antidepressivos pode ser irreversível, devendo a equipe médica estar ciente disso.

Comentários finais

Os efeitos adversos aos medicamentos levam a um grave problema de saúde pública, sendo responsáveis pelo aumento da morbimortalidade entre os pacientes e causando gastos desnecessários ao sistema de saúde. As drogas utilizadas para depressão podem causar lesão hepática, mesmo que em doses terapêuticas. Embora não seja muito frequente, há relatos de danos irreversíveis. Como ainda não há estratégia para prevenção de dano hepático induzido por medicamentos antidepressivos, a detecção precoce e interrupção imediata da droga devem ser um objetivo.

Palavras-Chave

Doença hepática induzida por substâncias e drogas. Amitriptilina. Antidepressivos tricíclicos.

Área

Gastroenterologia - Fígado

Autores

André Melo de Faria, Leonardo Renaux Morais, Viviane Lozano Espasandin